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No último mês a Índia registou a maior temperatura de sempre. Uns refrescantes 51 °C. Mesmo para nós Alentejanos, habituados às meiguices do sol de Agosto, esta temperatura seria nada menos que insuportável. Para percebermos bem a dimensão deste evento, a temperatura mais alta assinalada no nosso planeta foi sentida na afável e carinhosa localidade do "Vale da Morte" na Califórnia, onde se registaram uns belos 56,7 °C. Algo que permite literalmente fritar ovos no chão! Por cá, a temperatura mais elevada foi registada na nossa vizinha Amareleja com uns também muito simpáticos 47,3 °C em 2003. Mas voltemos à India porque até agora, para além de mencionarmos alguns locais onde o protetor solar é tão importante como o desodorizante que o nosso colega de trabalho devia usar, nada disto responde propriamente à pergunta colocada título.
Dizíamos: com 51 °C o ar torna-se irrespirável. O arfar substitui o normal respirar e a garganta aperta, lenta e compassadamente o ténue bafo quente que desce e escalda os pulmões. A ideia de movimento é penosa e o movimento impossível. A sombra é quente, a brisa queima, o ar escalda. Quando perguntaram ao diretor geral do Instituto de Meteorologia sobre quais as razões para estas temperaturas ele respondeu: “Desde 2001 locais do norte da Índia, em especial no Rajastão, têm registado uma tendência para o aumento das temperaturas, todos anos. A razão principal é o consumo excessivo de energia e as emissões de dióxido de carbono. Fatores como a urbanização e industrialização somaram-se ao fenómeno do aquecimento global”. Se quiséssemos resumir as palavras do Sr. Laxmam Singh Rathore à "The Times of India" numa única palavra, poderíamos utilizar a palavra "consumo", ou melhor, sociedade de consumo que é aquilo que nós somos. Claro que os mais otimistas dirão "bom, mas a Índia é tão longe que ainda hoje celebramos o primeiro “tuga” a experimentar chamuças" e em certa medida têm razão, mas só em parte. A Índia é mesmo longe mas os fenómenos extremos estão por todo o lado. No Alentejo, as secas são cada vez mais frequentes e se falarmos em temperatura, todos sabemos do que estamos a falar.
Neste momento e assumindo que não é excessivamente otimista, deverá estar a pensar: mas o que posso eu fazer? É aqui que entra a estória do mínimo dos mínimos. No mínimo tem que reciclar o seu lixo. No mínimo dos mínimos. Claro que pode e deve fazer muito mais. Pode plantar árvores, consumir produtos biológicos, comprar localmente, evitar viagens curtas e desnecessárias de automóvel, comprar produtos a granel, fazer compostagem, etc. Pode fazer tudo isto, e se tem filhos e quer entregar-lhes um planeta pelo menos tão habitável como aquele que recebeu é bom que o faça. Mas no mínimo, se não tem espaço lá em casa para plantar árvores ou para ter um compostor, se tem um impulso incontrolável para fazer compras, se detesta andar a pé ou de bicicleta ou se detesta o senhor da mercearia ao lado de casa, o mínimo que pode fazer é de facto reciclar o seu lixo. Mesmo! Sem desculpas.
Reciclar é simples, é rápido e faz, mesmo, a diferença. Mais ninguém pode reciclar o seu lixo a não ser você. O que não separar, vai inevitavelmente contribuir para a agravar a situação que é já de si preocupante.
O momento da verdade.
Chegamos claro ao momento da verdade e temos de lhe perguntar de forma muito clara, se recicla. Se sim, OK. Está na hora de começar a plantar árvores. Senão, está na altura de começar e nós damos uma pequena ajuda. Primeiro, esqueça tudo o que sabe ou pensa que sabe sobre separação de resíduos. A partir de agora só terá que se preocupar com duas coisas: embalagens (vidro, cartão, plástico e metal) e jornais (vá, e revistas também). Depois, faça algo tão simples quanto isto: coloque dois pequenos sacos na sua cozinha e à medida que vai aviando refeições, loiça, roupa, etc., coloque simplesmente as embalagens usadas de plástico, metal e vidro num dos sacos. As de papel e cartão, assim como os jornais e revistas deverão seguir no segundo saco. Já no ecoponto, deposite no contentor correto consoante o material que tira do saco. E é isto. Depois de conseguir interiorizar esta mecânica, vai perceber que cada pessoa tem o seu próprio método. O importante é insistir. Se tiver dúvidas, já sabe: estamos por cá em www.gesamb.pt
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