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Há municípios que fizeram da gastronomia a sua pedra de toque. Outros, fizeram da história e do património edificado o seu mantra. Outros ainda, retiraram das suas excecionais condições naturais o melhor dos partidos. Montemor-o-Novo por seu lado apostou no espetáculo, mas não pense que estamos a falar de “artistinhas” de calça riscada e rasta comprida. Também os há, que a cultura vive na diversidade, mas estamos a falar de algo de uma dimensão completamente diferente. Garantimos, se não conhece vai ficar surpreendido. Mas primeiro, comecemos pelo mais importante, o estômago.
Este é já o sexto artigo que escrevemos dedicado aos municípios do Alentejo e começamos a notar uma certa implicação dos alentejanos com os mouros e castelhanos. Montemor-o-Novo não foge à regra e também aqui a história da cidade e do seu património se fez por entre demandas e conquistas encabeçadas pelo próprio D. Afonso Henriques, o Conquistador. No entanto, Montemor-o-Novo é uma alma muito mais antiga que o início da nossa nacionalidade. Há 50.000 anos, muito antes que árabes e mouros, outros povos se fixaram por aqui e deixaram marcas que perduram até hoje e que são de visita obrigatória, mas primeiro e tal como tínhamos referido, o estômago.
Uma empada para começar viagem.
Montemor-o-Novo como qualquer outra localidade alentejana é um sítio bom para comer e claro, para beber. A oferta é grande e coesa, não faltando nenhum dos pratos típicos que distinguem a gastronomia alentejana de todas as outras. No entanto desta feita vamos optar por continuar a caminhar enquanto agarramos algo para comer. Tenha calma. É certo que não se vai sentar e apreciar, mas também aqui ninguém lhe vai dar uma sande de delícias do mar abastada de maionese. Vamos sim, apresentar-lhe uma iguaria local, as empadas. Por aqui há de vários sabores e recheios. Temos de javali, perdiz, caça e outras, mas a que recomendamos é a de galinha. Diz quem conhece que uma passagem pelo Polo Norte é obrigatória. Gabam-lhe a massa e o tempero, mas faça você mesmo a prova. Café /Snack bar “Polo Norte”, Carreira de S. Francisco, 23.
É tempo de espetáculo!
Talvez desconheça que Montemor é uma referência na área das artes e expressão cultural, mas a comunidade internacional não. Há vários anos que o município tem apostado na criação de condições para albergar iniciativas de criação artística e desde então proliferam em Montemor-o-Novo todo um conjunto de movimentos associativos e culturais que trazem até este recanto do Alentejo pessoas de todo o Mundo e das mais diversas culturas. As iniciativas e projetos são vários, pelo que não será difícil assistir a um espetáculo numa ida a Montemor-o-Novo. Agora tome nota porque o espetáculo vai começar. Silêncio por favor:
Oficinas do Convento:
Como pedra angular na atividade cultural do concelho, desde 1996 que esta organização não governamental em muito contribui para que a cultura se tornasse um verdadeiro pilar de desenvolvimento da cidade. Ao fornecimento de meios e condições para a produção artística -em especial na área da Escultura, Imagem, Tecnologia e Música- aliam a promoção de jovens criadores, a formação, as residências artísticas, a investigação e publicação de artigos, a organização de eventos anuais na e para a cidade, a prestação de serviços como impressão e construção artesanal de revestimentos (ufa!), ainda acrescem preocupações ambientais e sociais a muitos dos projetos que desenvolvem.
www.oficinasdoconvento.com/
Espaço Tempo:
No Convento da Nossa Senhora do Ó, a Espaço Tempo é uma iniciativa que nos mostra desde 2001 que a interioridade não tem de significar estagnação, ausência de cultura ou falta de dinamismo…. Não pense que estamos a falar de uma sala para espetáculos, ou de um grupo de “artolas”. Não, este Centro Interdisciplinar das Artes Performativas é a maior estrutura do país ao nível das artes performativas e uma referência nacional e internacional na área, tendo estado presente e apoiado o desenvolvimento do percurso de inúmeros criadores. Sempre de frente para as gentes do concelho, têm também uma intensa relação com várias entidades e cidadãos como o demonstram os projetos escolares ou as formações realizadas anualmente. Esta malta percebe mesmo disto e acredita realmente no que faz ao ponto que quando se metem a conceber projetos obtêm nota máxima nas candidaturas à Comissão Europeia. Atenta esteve a cidade em acolhê-los e apoiá-los….
www.oespacodotempo.pt/pt
Encontro Internacional de Marionetas:
Um outro projeto digno de nota na área artística é o Encontro Internacional de Marionetas de Montemor-o-Novo, promovido pela autarquia mas organizado pela Alma d`Arame , que se realiza desde 2006 e tem presenças internacionais que refletem o cosmopolitismo e a relevância cultural do concelho de Montemor no exterior. Este festival justifica por si só uma vinda até Montemor-o-Novo. Aponte na sua agenda!
www.almadarame.pt/encontros.html
Festival de Teatro de Montemor-o-Novo
De 1 a 22 outubro realiza-se o Festival de Teatro de Montemor-o-Novo que vai já na 5ª edição. É realizado pela autarquia em parceria com várias estruturas teatrais. Ao longo de três semanas são várias as propostas teatrais que serão apresentadas, destinadas a abranger os vários públicos, desde o escolar ao sénior, e a acontecerem em vários espaços da cidade. 14 espetáculos, 3 projeções de filmes e 3 oficinas-formação, 1 residência artística.
http://festivalteatro.cm-montemornovo.pt/
E por fim, arte com mais de 50.000 anos.
Lembra-se de termos referido no início do texto que a história de Montemor-o-Novo recuava bem para lá da formação da nossa nacionalidade? Pois bem, já nessa altura as gentes da região prestavam especial atenção à cultura e à expressão artística e por isso, é hoje possível observar vestígios únicos de arte rupestre paleolítica em Montemor-o-Novo. Falamos claro das grutas situadas na Serra do Monfurado, únicas em Portugal, onde podem ser observados vestígios de arte rupestre paleolítica - entre 25 000 a. C. e os 12 000 anos a. C. - contendo um espólio arqueológico testemunha da ocupação humana com mais de 50 mil anos. Foram acidentalmente descobertas em 1963 e foram classificadas como Monumento Nacional nesse mesmo ano. A “National Geograhic” achou-lhes alguma piada e veio até cá fazer uma grande reportagem. Quem sabe se você também não vai achar interessante? :)
http://nationalgeographic.sapo.pt/ciencia/grandes-reportagens/812-a-quimica-da-arte-rupestre?showall=&start=1
http://www.cm-montemornovo.pt/pt/site-visitar/turismo/Paginas/Visitas.aspx
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