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Se imaginou que por algum instante lhe iríamos sugerir que oferecesse à sua cara-metade um envelope com uns cartões mal-amanhados a dizer "vale um sorriso grátis" ou algo do género, respire fundo. Tentamos não ser consumistas mas tentamos ainda mais não ser parvos. Ninguém quer receber um manuscrito com promessas de carinho como prenda, a não ser o casalinho que se conheceu exatamente na festa de Natal da empresa no ano passado. E mesmo esses...
Por outro lado, também convém ter os pés assentes na terra. Não queremos ser parvos mas também não queremos enganar ninguém. Portanto, não espere para ver a água transformada em vinho. Fica aliás aqui a nota: se alguém lhe prometer algo que parece demasiado bom já sabe: 99% das vezes é mentira.
Como já terá percebido, nem conhecemos nenhuma loja em liquidação total, nem tão pouco somos amigos do tal sujeito que tem sempre a sorte de estar no sítio certo à hora certa quando a mercadoria "cai do camião". O "truque" para oferecer melhores prendas gastando menos é simples: compre menos prendas!
Apesar da sua primeira reação, por favor continue a ler.
Seja sincero. Quantas vezes comprou uma "tralha" qualquer só porque tinha mesmo de oferecer algo? Quantas vezes recebeu algo que efetivamente não queria, não servia ou não gostava? Quanto vouchers de estadias ou cartões de loja tem, por usar, perdidos nas gavetas lá de casa? Ah, e quantas prendas tem ainda embrulhadas de outros natais, tipo garrafas de licor, meias, cachecóis, peças de decoração, etc? Várias, não é? Você e todos nós. Aliás tornou-se tão comum dar e receber coisas que não interessam a ninguém, que surgiu há uns anos um movimento chamado Regift e que basicamente consiste em ter a "cara de pau" de oferecer a alguém algo que nos foi oferecido a nós.
Para além de acumularmos tralha sem interesse algum, a compra desmesurada de prendas acarreta vários outros inconvenientes. É o stress das compras. É o stress da gestão do dinheiro. É o stress de comprarmos prendas equivalentes em valor para os nossos familiares. É o stress de saber o que comprar. Enfim, é demasiado stress para uma época onde supostamente devíamos estar todos um pouco mais relaxados.
Mas o stress das compras não acaba aqui. O pós-natal também acarreta a sua dose de stress. É o stress das trocas. O stress de perceber que compramos algo por 50€ que dois dias depois custa metade. É o stress de termos de gastar o crédito naquela loja mas não encontramos nada que realmente queiramos. O stress é tanto e de tal ordem que existe mesmo uma nomenclatura própria: stress pós-festividades.
Mas não “stresse” já. Vamos mostrar-lhe como se faz.
Tal como lhe dissemos, o "truque" para oferecer prendas melhores gastando menos é comprando menos prendas. Até aqui tudo claro, certo? Mas como é óbvio se isto não fosse divertido, não lhe estaríamos a recomendar tal coisa. Então prepare-se, vamos a isto:
1) A reunião: O primeiro passo é marcar um jantar ou um pequeno convívio com aqueles a quem por norma oferece prendas e que normalmente são a sua família nuclear: Pai, mãe, irmãos, mulher, filhos, primos, etc. Note que dissemos prendas e não lembranças. Dessas não vai ser fácil livrar-se, mas há alternativas simples para fazer aquele pequeno agrado aos seus vizinhos, amigos ou familiares mais distantes.
2) Os preparativos: O segundo passo é o de escrever o nome de cada um dos convidados num pequeno papel e colocar todos os papéis devidamente dobrados num recipiente, como por exemplo um saco.
3) O sorteio: O terceiro passo é realizar o sorteio. Cada um dos presentes retira um papel para si e será essa a pessoa a quem terá que dar uma prenda e apenas a essa. Como tudo na vida, o segredo é alma do negócio, por isso sob nenhuma circunstância deverá revelar o nome de quem lhe calhou na sorte.
4) O orçamento: Para não haver gente a receber Iphones e outros a receber pacotes de lenços de mão, é fundamental estabelecer um teto para o valor das prendas a dar. Como apenas vão trocar uma única prenda entre vocês, tentem estabelecer um valor interessante. Um valor que dê para comprar uma prenda apetecível.
5) As dicas: Durante o jantar deixe escapar um ou outro presente que gostaria de receber. Faça-o em tom audível para que não escape a ninguém, pois afinal de contas não sabe quem é que vai ser o seu dador. Isto vai tornar o seu jantar um pouco barulhento mas vai perceber que ajuda na altura de comprar a sua prenda.
6) As quadras: No dia de Natal cada um deve trazer a sua prenda devidamente identificada com o nome do destinatário e apenas com o destinatário. Juntamente com a prenda, deverá trazer também um pequeno conjunto de quadras, num registo ligeiro, onde fale de si e da sua relação com a pessoa a quem vai oferecer a prenda, sem nunca referir nomes.
7) A entrega: A ideia da entrega é simples. Com todas as prendas identificadas e os respetivos textos anexados, procede-se à distribuição das mesmas. Deve distribuir-se uma prenda de cada vez, chamando o nome que consta na prenda. Essa pessoa deve ler o texto e tentar identificar quem lhe está a oferecer o regalo.
O Natal é aquela época do ano em que é suposto andarmos de bem com a vida. É suposto andarmos mais relaxados, mais compreensivos e sim, mais alegres. Há mesmo uma espécie de sentimento coletivo que levanta a moral e reconforta a alma. Para quem vive fora é altura de regressar à terra. De rever amigos, beber uns copos e fazer jantares. Cá fora a iluminação brilha, a música natalícia invade os ouvidos e há doces, crianças e circo. É tempo para relaxar. Por isso, não stress.
Feliz Natal!
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